Os Espíritos NÃO transam, NÃO comem e NÃO dormem – Parte 3 (final)

Muitos amigos e companheiros espíritas ficaram intrigados com a série de artigos que publicamos sobre as sensações e necessidades dos Espíritos. Alguns imaginam que estamos negando tudo o que Chico Xavier trouxe, juntamente com Emmanuel e André Luiz, a respeito da vida dos Espíritos. No intuito de sanar essas dúvidas, julgamos útil publicar algumas novas considerações, tentando ser o mais claro possível, de modo a evitar maiores confusões.

Em A Gênese, cap. 14 (dos Fluidos), Allan Kardec, juntamente com os Espíritos, nos ensina que “O pensamento é para o Espírito o que a mão é para o homem”.

Assim, nós criamos com o pensamento tudo o que existe, tanto aqui como lá, na diferença de que aqui precisamos materializar com o recurso das mãos, aquilo que projetamos com o pensamento.

Desse modo, os Espíritos podem criar tais cidades espirituais que inegavelmente existem e se podem criar cidades, podem criar sopas.

Êpa! então você se contradisse em tudo no seu artigo?

- Não. Continuo afirmando que o Espírito não come.

Uai, mas se ele pode projetar uma sopa pelo pensamento, é porque essa sopa servirá para alimentar alguém?

- Sim.

Eita! Então você está afirmando agora tudo o que negou antes?

- Não.

Então não entendi patavinas do que você quer dizer. Explique.

- O fato do Espírito “projetar” uma sopa, não significa que é sopa, tal qual a conhecemos aqui. Digamos que o Espírito projete uma feijoada deliciosa, cheirosa com tudo o que há de melhor nela. Pois bem, ainda assim é só uma projeção.
Mas o espírito pode comer essa feijoada e se sentir saciado?

- Sim, pode comer, pode sentir-se saciado, mas ainda uma vez: é projeção e não comida de verdade…Digamos que seja somente para suprir nele uma ilusão de fome.

Vou dar um exemplo:

Allan Kardec conta que um médium viu um Espírito sentado ao piano, tocando-lhe as teclas e o piano produzia perfeitamente a peça que ele tocava. Bem, o Espírito não pode tocar nas teclas do piano, pois para isso precisaria de músculos. Mas como ele foi visto tocando nas teclas e o piano correspondendo às notas? Ocorre que ele “acreditava que tinha necessidade de tocar com os dedos”. Não compreendia que quem estava desempenhando aquela função era simplesmente seu pensamento e sua vontade, e como julgava ainda precisar tocar nas teclas, assim o fazia, na “ilusão” de que era com os dedos que tocava.

Ocorre o mesmo com Espíritos que, embora podendo transpor paredes, acreditam que estas ainda lhe são obstáculos. O obstáculo somente existe em SEU pensamento, mas não é um obstáculo real. A partir do momento que ele percebe isso, o obstáculo deixa de existir.É o mesmo que ocorre com as sensações de fome, frio, sede, necessidade física como ir ao banheiro, tomar banho, etc. São sensações que só existem em seu ser, ou seja, são particulares de cada um. A partir do momento que o Espírito tiver consciência disso, tais necessidades desaparecem, provando que não eram necessidades reais, mas espécie de ilusão deixada pelo impacto da vida física.

Ele pode projetar uma sopa e comer? Pode. Pode tomar um suco, uma bebida alcoólica ou um sorvete? Pode. Pode fumar (ver em O Livro dos Médiuns – Laboratório do Mundo Invisível), beber, se drogar, enfim, fazer tudo o que fazia em vida física? Pode. Mas isso tudo só existe porque ELE quer, é algo particular de cada um e não uma necessidade real de todo e qualquer espírito. As sensações que ele experimenta neste estado são ILUSÕES que, embora tenham algo de real, continuam sendo ilusões.

Mesmo para Espíritos vulgares, pouco evoluídos, a partir do momento que ele percebe que não tem mais necessidades, isso tudo desaparece. Não está relacionado a evolução – embora com a evolução tais perturbações sejam cada vez menos intensas – mas ao estado emocional e mental de cada um.

Mesmo aqui na Terra, quantas vezes vivemos algo que se nos apresenta indispensável, e quando perdemos esse algo, percebemos que podemos viver tranquilamente sem a sua presença. Quantas vezes vivemos ilusões que são perfeitamente reais e que somente depois é que percebemos nosso engano e caímos na realidade?

Se isso acontece aqui, ainda mais na vida espírita.

Em resumo, os Espíritos não comem, não dormem, não transam, mas podem conservar sensações que os perturbam nestas necessidades, podendo assim projetar coisas no intuito de suprir estas necessidades, mas isso tudo, por mais real que possa parecer, é mera ilusão, independente de evolução, que deve desaparecer assim que desapareçam as causas destas sensações.